sábado, 10 de dezembro de 2011

Embalagem

Tocou o fundo e rasgou o eco,
acordou o desprezo, sussurro cáustico,
dizem se deuses os demônios disfarçados,
dizem se deuses os cegos conformados,
há argumento por trás de toda maldade,
os pais amados, famintos de luxúria,
as mães amadas, sujas tão mais que as prostitutas,
os amigos amados, vampiros de auto necessidade
os filhos amados, distantes da vontade do pai,
os amados, as farsas amadas, a mentiras amadas
e a bomba percorre, mas todos fingem não vê-la,
não acreditam que há de estourar, a desgraça alheia,
o doce na boca do povo,
Adultos são crianças brincando de se machucar,
A humanidade me adoece...

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Coágulo

O céu deita a pálpebra,
o suave véu faz reflexo no peito acorrentado,
Onde engrena o coração,
o ciclo do sangue acinzentado,

Vagueia o vivo espantalho,
com fiéis corvos sobre os pesados ombros,
sobre o chão que nada lhe consagra,
migalhas,fantasmas,escombros

Prossegue em batidas secas,
o compasso de uma marcha forçada,
n'amarga cerimônia de desleixo,
dentre os passos que já não levam a nada,

domingo, 4 de setembro de 2011

Estático

Assim o é:
seco...
O engulo amargo, acre
O rosto ao lago,
Há ver mais quando toca a pedra a pele d'água...
segue o rastro, a esmo quase,
A dor beija,
mas não consegue o pouso,
prossegue a dança.
Dança, dança,
e consigo a fuga,
enganar a serpente,
a víbora a sorrir,
dentro do sítio
do sítio estranho,
demência?
Talvez, talvez...
Bom dia barco,
a esmo quase,
a esmo,
deixo o vento soprar...


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

micrómetro

E quase que sempre...
...eu acabo ficando nas entrelinhas...
Cultuado pelo meio termo,
filho preferido da dúvida,
refém inconformado do medo,
eu acabo sobrando nas sombras,
esquecido entre as ruínas,
quase parte integral dos escombros,
eu continuo a vagar entre eles.
sou o último resquício de luz
de uma estrela que há muito morrera.
A ferrugem e o musgo de um navio
 que há tempos naufragara,
O crânio de um herói morto
servindo de casa aos insetos.
Borboleta sem asas
sobre um campo sem flores,
Um anjo frustado
 sem ter ninguém pra cuidar,
O trágico fim de uma sublime história
e assim o princípio de uma era lembranças,
perversa agonia...
Devolvam-me meu cordão umbilical,
emprestem-me sua arma mais letal,
Eu preciso dormir...
...descansar...

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Carbono

Você não vê as lágrimas,
nem as cicatrizes em meu coração,
agora que me sinto tão sujo e impuro,
em que nada mais está intacto,
em que os planos já se integraram ao buraco negro,
agora que percebemos a loucura
em cada hemoglobina em nós,
agora que já perdemos a fé em nós mesmos,
e acreditamos em algo que inexiste.
Mas a imperfeição é a parte mais perfeita da perfeição.
Vemos nossas vidas a descer pelo ralo,
e acreditamos que a morte é nossa salvação,
a morte é o que temos de mais vivo em nós.
Minha cabeça gira e imagens são projetadas,
o fel escorre interno...
Eles correm em direção as setas,
eu vago a caminho do abandono,
não sou tão velho,
mas sinto o forte peso do espírito...
Chuta-me, eu mereço.
Cuspa-me, eu mereço.
Negue-me, eu mereço.
Se afaste de mim, você merece.
Eu sou  a frustração.

domingo, 7 de agosto de 2011

Látego

Um tanto que mais profundo o golpe,
Um tanto que mais corrosivo o verbo,
A língua lambe, saliva ácida...
Craveja e expande,
fraqueja e rompe,
E de que vale tudo afinal?
E aquelas flores que ninguém percebeu?
E aquele sangue drenado?
o sacrifício que ninguém reconheceu,
a carne do cordeiro apodrecido,
mosca e vermes,
ossos e vestígios,
Aos poucos os pedaços se esvaem,
a alma se esvai....
aos poucos...
E o que nos resta afinal?
O que sobra enfim?

sexta-feira, 15 de julho de 2011

In finito

Por trás da chuva e vidro
um rosto embaçado com chuva nos olhos.
Na pele tecia-se HATE em letras disformes,
vestígio de um conflito pele, estilete,
de um conflito descrença...
O coração se mantinha a base de costura,
era casa dos espectros,
de todos aqueles que diziam exalar amor...
as asas silenciadas dividia o canto junto a poeira,
o medo de cair tornou-se latente...
as veias carregavam amparos sintéticos,
fugia-se as vezes um sorriso patético
as velas dançavam até o finito...
Alguém entrara naquele quarto
para de lá não mais sair...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Limbo

Adeus sapatos velhos,
Adeus escovas gastas,
Adeus roupas rasgadas,
Adeus você,
quebrado ou não,
bem vindo ao limbo.
Adeus você.
que era especial,
que era amado,
É o que diziam...
Canto de sereia,
Olhar de naja,
Servo de um amor alheio,
Servindo a um amor próprio
Feito brinquedo,
Coração de pano,
Alma de papel
Você não é mais ninguém,
Mero produto trocado
Outrem na prateleira,
E você é bem vindo ao limbo
Aqui não há flores,
Aqui não há palavras doces.
E você sente o que realmente
vale neste mundo.

domingo, 10 de julho de 2011

Drenado

A névoa, a pálida lente esconde o rubro dos olhos,
A mentira faz sempre morada a caverna da língua
e os tentáculos abraçam sempre com afago os mais fraquejados.

O semblante relata sempre primavera,
raro revelas a cinza maquiavélica da alma,
mas conseguem sorrir todos os enganados.

Levanta as bandeiras, erguem-se as taças,
comemora-se o rei no fundo fracassado,
de que vale ter um reino se não se tem um coração,
de que vale um tesouro se não for compartilhado.

sábado, 9 de julho de 2011

In fértil

Muito além de sangue é que o corre as veias,
o que trajamos é um sinal de sutil fracasso,
os impulsos ditam os caminhos e seguimos acreditando
que somos realmente livres em cada passo.

Quase uma totalidade de herança, quase uma de tolice
crê-se em diferenças, cai-se em mesmice...
Cravamos nossa prepotência, prolongamos a ignorância
Tendo sempre o auto mundo como o de maior importância.

Deixe tecer a ordem, deixe tecer a inversa evolução
sobra-me a pergunta: quais próximas flores nascerão?

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Areia

Ao certo  não sei o que quebrou,
Que palavra constrangiu,
Que palavra rasgara,
Longe de ser poesia,
Talvez a verdade,
na verdade oposição.

Algo insisti em seguir,
entre rastejo e gritos
Engasgando o pulso,
em mente que definhas,
sem um pedaço eu sigo,
sem um respiro eu sigo,
sem muletas, ampulheta quebrada.
Frente a sombra do nada,
Que consome o todo, o tudo,
O nada.
Sem  ampulheta ...
Eu sigo...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Prostar-se

As nuvens devoram o céu e retomam o ciclo...
palavras dançam, abrem e encerram...
em suas mãos o cajado,
mas de nada é dono,
é filho apenas,
escravo cego do vento.
pequeno homem com o mundo aos pés
tola crença de eternidade
segue deixando seu rastro de dor e sangue
no entanto um dia,
os dias,
as palavras
e os joelhos hão de dobrar...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Desnorte

É denso,
é noite,
sempre o é,
mesmo o sol a tona, a toa em órbita...
As vezes é só cochilo e quando não é noite, mesmo negando o sempre...
Os rumos são outros, talvez os que deveriam realmente ser...
Lá fora sempre faz ecoar a dor aqui dentro, é frio, é mórbido!
Podre!!!
É o que grita cortante, os atos que esvaem loucos a mim, sóbrios estúpidos aos outros...
Cara de não mundo, de não vida, de merda toda...
E de que setas preciso eu?
Acho que só preciso do tanto faz...