sexta-feira, 15 de julho de 2011

In finito

Por trás da chuva e vidro
um rosto embaçado com chuva nos olhos.
Na pele tecia-se HATE em letras disformes,
vestígio de um conflito pele, estilete,
de um conflito descrença...
O coração se mantinha a base de costura,
era casa dos espectros,
de todos aqueles que diziam exalar amor...
as asas silenciadas dividia o canto junto a poeira,
o medo de cair tornou-se latente...
as veias carregavam amparos sintéticos,
fugia-se as vezes um sorriso patético
as velas dançavam até o finito...
Alguém entrara naquele quarto
para de lá não mais sair...

terça-feira, 12 de julho de 2011

Limbo

Adeus sapatos velhos,
Adeus escovas gastas,
Adeus roupas rasgadas,
Adeus você,
quebrado ou não,
bem vindo ao limbo.
Adeus você.
que era especial,
que era amado,
É o que diziam...
Canto de sereia,
Olhar de naja,
Servo de um amor alheio,
Servindo a um amor próprio
Feito brinquedo,
Coração de pano,
Alma de papel
Você não é mais ninguém,
Mero produto trocado
Outrem na prateleira,
E você é bem vindo ao limbo
Aqui não há flores,
Aqui não há palavras doces.
E você sente o que realmente
vale neste mundo.

domingo, 10 de julho de 2011

Drenado

A névoa, a pálida lente esconde o rubro dos olhos,
A mentira faz sempre morada a caverna da língua
e os tentáculos abraçam sempre com afago os mais fraquejados.

O semblante relata sempre primavera,
raro revelas a cinza maquiavélica da alma,
mas conseguem sorrir todos os enganados.

Levanta as bandeiras, erguem-se as taças,
comemora-se o rei no fundo fracassado,
de que vale ter um reino se não se tem um coração,
de que vale um tesouro se não for compartilhado.

sábado, 9 de julho de 2011

In fértil

Muito além de sangue é que o corre as veias,
o que trajamos é um sinal de sutil fracasso,
os impulsos ditam os caminhos e seguimos acreditando
que somos realmente livres em cada passo.

Quase uma totalidade de herança, quase uma de tolice
crê-se em diferenças, cai-se em mesmice...
Cravamos nossa prepotência, prolongamos a ignorância
Tendo sempre o auto mundo como o de maior importância.

Deixe tecer a ordem, deixe tecer a inversa evolução
sobra-me a pergunta: quais próximas flores nascerão?

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Areia

Ao certo  não sei o que quebrou,
Que palavra constrangiu,
Que palavra rasgara,
Longe de ser poesia,
Talvez a verdade,
na verdade oposição.

Algo insisti em seguir,
entre rastejo e gritos
Engasgando o pulso,
em mente que definhas,
sem um pedaço eu sigo,
sem um respiro eu sigo,
sem muletas, ampulheta quebrada.
Frente a sombra do nada,
Que consome o todo, o tudo,
O nada.
Sem  ampulheta ...
Eu sigo...

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Prostar-se

As nuvens devoram o céu e retomam o ciclo...
palavras dançam, abrem e encerram...
em suas mãos o cajado,
mas de nada é dono,
é filho apenas,
escravo cego do vento.
pequeno homem com o mundo aos pés
tola crença de eternidade
segue deixando seu rastro de dor e sangue
no entanto um dia,
os dias,
as palavras
e os joelhos hão de dobrar...

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Desnorte

É denso,
é noite,
sempre o é,
mesmo o sol a tona, a toa em órbita...
As vezes é só cochilo e quando não é noite, mesmo negando o sempre...
Os rumos são outros, talvez os que deveriam realmente ser...
Lá fora sempre faz ecoar a dor aqui dentro, é frio, é mórbido!
Podre!!!
É o que grita cortante, os atos que esvaem loucos a mim, sóbrios estúpidos aos outros...
Cara de não mundo, de não vida, de merda toda...
E de que setas preciso eu?
Acho que só preciso do tanto faz...