E quase que sempre...
...eu acabo ficando nas entrelinhas...
Cultuado pelo meio termo,
filho preferido da dúvida,
refém inconformado do medo,
eu acabo sobrando nas sombras,
esquecido entre as ruínas,
quase parte integral dos escombros,
eu continuo a vagar entre eles.
sou o último resquício de luz
de uma estrela que há muito morrera.
A ferrugem e o musgo de um navio
que há tempos naufragara,
O crânio de um herói morto
servindo de casa aos insetos.
Borboleta sem asas
sobre um campo sem flores,
Um anjo frustado
sem ter ninguém pra cuidar,
O trágico fim de uma sublime história
e assim o princípio de uma era lembranças,
perversa agonia...
Devolvam-me meu cordão umbilical,
emprestem-me sua arma mais letal,
Eu preciso dormir...
...descansar...
quarta-feira, 24 de agosto de 2011
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
Carbono
Você não vê as lágrimas,
nem as cicatrizes em meu coração,
agora que me sinto tão sujo e impuro,
em que nada mais está intacto,
em que os planos já se integraram ao buraco negro,
agora que percebemos a loucura
em cada hemoglobina em nós,
agora que já perdemos a fé em nós mesmos,
e acreditamos em algo que inexiste.
Mas a imperfeição é a parte mais perfeita da perfeição.
Vemos nossas vidas a descer pelo ralo,
e acreditamos que a morte é nossa salvação,
a morte é o que temos de mais vivo em nós.
Minha cabeça gira e imagens são projetadas,
o fel escorre interno...
Eles correm em direção as setas,
eu vago a caminho do abandono,
não sou tão velho,
mas sinto o forte peso do espírito...
Chuta-me, eu mereço.
Cuspa-me, eu mereço.
Negue-me, eu mereço.
Se afaste de mim, você merece.
Eu sou a frustração.
nem as cicatrizes em meu coração,
agora que me sinto tão sujo e impuro,
em que nada mais está intacto,
em que os planos já se integraram ao buraco negro,
agora que percebemos a loucura
em cada hemoglobina em nós,
agora que já perdemos a fé em nós mesmos,
e acreditamos em algo que inexiste.
Mas a imperfeição é a parte mais perfeita da perfeição.
Vemos nossas vidas a descer pelo ralo,
e acreditamos que a morte é nossa salvação,
a morte é o que temos de mais vivo em nós.
Minha cabeça gira e imagens são projetadas,
o fel escorre interno...
Eles correm em direção as setas,
eu vago a caminho do abandono,
não sou tão velho,
mas sinto o forte peso do espírito...
Chuta-me, eu mereço.
Cuspa-me, eu mereço.
Negue-me, eu mereço.
Se afaste de mim, você merece.
Eu sou a frustração.
domingo, 7 de agosto de 2011
Látego
Um tanto que mais profundo o golpe,
Um tanto que mais corrosivo o verbo,
A língua lambe, saliva ácida...
Craveja e expande,
fraqueja e rompe,
E de que vale tudo afinal?
E aquelas flores que ninguém percebeu?
E aquele sangue drenado?
o sacrifício que ninguém reconheceu,
a carne do cordeiro apodrecido,
mosca e vermes,
ossos e vestígios,
Aos poucos os pedaços se esvaem,
a alma se esvai....
aos poucos...
E o que nos resta afinal?
O que sobra enfim?
Um tanto que mais corrosivo o verbo,
A língua lambe, saliva ácida...
Craveja e expande,
fraqueja e rompe,
E de que vale tudo afinal?
E aquelas flores que ninguém percebeu?
E aquele sangue drenado?
o sacrifício que ninguém reconheceu,
a carne do cordeiro apodrecido,
mosca e vermes,
ossos e vestígios,
Aos poucos os pedaços se esvaem,
a alma se esvai....
aos poucos...
E o que nos resta afinal?
O que sobra enfim?
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