Sair sem querer voltar,
fugir por ruas que não há,
como expurgar o ódio
que queima a própria carne?
Essa condenação que não cala,
essa mente que insiste em cair,
essa doença que persiste em agredir.
As luzes chamam, chamas negras
como sempre,
clamam em sede, você se entorpece,
se quebra nas paredes, cata os cacos,
e volta ao vômito.
Por que insistir em entrar na porta?
Por que ainda acreditar?
No final todos os livros cantam derrota.
No final sempre é você e a dor,
contorcendo imóvel
sem refúgio, sem lar.
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